Características de um bom pão - Exteriormente, um pão de bom aspecto deve ser bem desenvolvido, bem assado e leve; deve ter um odor suave, sabor agradável, crocante, e com boa conservação.
Pães assados com vaporização, cortados ou decorados, devem ter uma crosta amarelo-dourada, ligeiramente espelhada, lisa e bem aderente ao miolo.
Os pães cortados não devem apresentar estrangulamento; os cortes devem ser bem regulares e distribuídos, sua superfície deve ser lisa e as pestanas bem destacadas.
Os pães decorados devem ter um sulco bem pronunciado, de superfície lisa e formato arredondado.
O miolo do pão cortado deve ter coloração branco-creme, e o do pão tradicional não deve apresentar buracos. O miolo deve ser sempre bem leve, fino e arejado.
Defeito dos pães - Os defeitos podem ser analisados sob vários aspectos:
1. aspecto exterior;
2. desenvolvimento e volume dos pães;
3. aspecto interior do miolo;
4. sabor do pão.
Comumente, duas causas podem explicar a ocorrência de defeitos. Qualidade insuficiente da farinha ou fermento, ou erro técnico. Qualquer que seja a causa, o profissional deve se esforçar para diagnosticar a origem do defeito, e então corrigir o erro e evitar sua repetição.
1) Aspecto exterior:
a) Incisões irregulares - Este defeito se traduz pelo aparecimento irregular ou completa ausência de “pestanas”, decorrentes das incisões. Diz-se que os pães são carecas.
Ä Possíveis causas:
· Farinha muito forte;
· Farinha hipodiastásicas;
· Massa assadas em forno muito quente;
· Massa ressecada;
· Massa muito crescida;
· Incisão mal feita;
· Forno com defeito de vaporização.
Ä Correções:
· Para farinha forte, reduzir a quantidade de aditivos e aumentar o tempo de amassamento até a massa ficar bem lisa.
· Para farinha hipodiastásica, deve-se reestabelecer o equilíbrio enzimático, adicionando um produto maltado.
· Demais defeitos Þ correções diretas
b) Pestanas dilaceradas - Caracteriza-se por pestanas largamente abertas, achatadas e ásperas.
Ä Possíveis causas:
· Farinha pobre em glúten;
· Massa forneada prematuramente;
· Forno brando;
· Forno de pulsão de ar quente.
Ä Correções:
· Para farinha fraca, elevar a dose de aditivo, prolongar o tempo da primeira fermentação;
· Demais defeitos Þ correções diretas.
c) Pães chatos - Pães achatados, de incisões raras e dilaceradas.
Ä Possíveis causas:
· Farinha de glúten fraco;
· Farinha de produção recente;
· Massa muito crescida;
· Massa assada em forno brando.
Ä Correções:
· Farinha de glúten fraco ; reforçar dose de aditivo;
· Demais defeitos Þ correções diretas.
d) Crosta avermelhada
Ä Possíveis causas:
· Farinha hiperdiastásica;
· Farinha rica em grão de amido danificado;
· Massa cuja primeira fermentação foi insuficiente.
Ä Correções:
· Aumentar a quantidade de fermento;
· Aumentar a quantidade de ácido ascórbico quando este estiver presente na receita;
· Aumentar tempo da primeira fermentação.
e) Crosta pálida
Ä Possíveis causas:
· Farinha hipodiastásica; ou Farinha sub extraída;
· Massa pobre em sal;
· Massa de primeira fermentação exagerada;
· Massa assada em forno muito brando.
Ä Correções:
· Correção da farinha com adição de cereais maltados ou amilases fúngicas;
· Demais defeitos Þ correções diretas.
f) Crosta esbranquiçada e s/ brilho - Caracteriza-se por crosta de cor opaca e acinzentada.
Ä Possíveis causas:
· Massa muito quente no final do amassamento;
· Excesso de farinha durante modelagem;
· Massa muito crescida;
· Defeito na vaporização do forno.
Ä Correções diretas.
g) Crosta muito espessa - Este defeito agrava-se em tempo seco.
Ä Possíveis causas:
· Farinha pobre em açúcar ou diástase;
· Farinha sub-extraída;
· Massa fortemente endurecida;
· Forno muito brando;
· Excesso de cocção.
Ä Correções:
· Usar os mesmos recursos empregados para corrigir os pães de crosta pálida.
2) Desenvolvimento e volume
a) Pães pesados e mal desenvolvidos - São pães cujo volume é inferior à média e cujo desenvolvimento é irregular.
Ä Possíveis causas:
· Farinha de glúten curto;
· Farinha sub ou super extraída;
· Forno muito forte;
· Forno muito brando.
Ä Correções:
· Para glúten curto aconselha-se trabalhar com massa mais mole que a média;
· Farinha sub-extraída Þ Adição de produtos maltados ou amilase fúngica;
b) Pães magros - São pães pouco desenvolvidos, cuja incisões, apresentam-se irregulares e muito dilaceradas.
Ä Possíveis causas:
· Farinha proveniente de trigo muito fraco e pobre em glúten;
· Massa pouco fermentada quando forneada.
Ä Correções:
· Aumentar ou incorporar ácido ascórbico na massa;
· Aumentar tempo de maturação da massa antes de modelá-la;
· Aumentar tempo da fermentação final.
3) Aspecto interior do miolo
a) Miolo compacto e grosseiro - Miolo formado de alvéolos que não possuem leveza nem elasticidade, e é desagradável ao tocar.
Ä Possíveis causas:
· Farinha de glúten muito curto;
· Farinha super-extraída na moagem;
· Uso de água muito quente durante amassamento;
· Massa muito firme;
· Excesso de crescimento antes do boleamento e forneamento.
Ä Correções:
· Preparar massas mais moles;
· Diminuir o tempo da primeira fermentação;
· Incorporar/aumentar o ácido ascórbico;
· Demais defeitos Þ correções diretas.
b) Cor anormal - Textura de cor cinzenta, neutra, azulada ou com pontos escuros; cor branca ou muito branca também são consideradas anormais.
Ä Possíveis causas:
· Miolo azulado Þ Farinha extraída de trigos contaminados por fungos;
· Cor acinzentada ou pontos escuros isolados Þ trigo muito velho, mal limpo, ou farinha super extraída.
Ä Correções:
· Evitar super amassamento e a presença de farinhas de fava, de soja, de bromato ....;
· Excluir farinhas anormais;
· Evitar oxidação excessiva da massa.
° O uso de cultura de fermento velha e ácida também pode alterar a cor do miolo.
c) Miolo colante
Ä Possíveis causas:
· Uso de farinha extraída de trigo germinado ou mistura com farinha de centeio.
Ä Correções:
· Acidificar levemente a massa;
· Evitar mistura com farinha de centeio.
d) Miolo friável - Caracteriza-se por miolo que tende a se esmigalhar.
Ä Possíveis causas:
· Farinha de glúten curto ou sub-extraída;
· Massa muito firme ou demasiadamente quente no final do amassamento;
· Dose exagerada de fermento.
Ä Correções:
· Preparar massas mais frescas;
· Demais defeitos Þ correções diretas.
4) Quanto ao sabor do pão - O pão pode apresentar mal cheiro ou sabor desagradável. Sua crosta pode ser dura ou excessivamente mole, seu miolo grosseiro e duro ou inconsistente, colante ou viscoso.
Ä Possíveis causas:
· Excesso de aquecimento no amassamento ou de fermento;
· Cultura de fermentos velha e ácida;
· Não ocorrência da primeira fermentação;
· Farinhas com odores não característicos.
Ä Correções diretas
IX - O MOFO E O ROPE
Mofo - ou bolor ; ocorre quando há contaminação por fungos. Seus sinais são bem visíveis pois os fungos se desenvolvem em colônias. Atacando o pão, ele forma pequenas manchas coloridas na casca. O mais comum é o Aspergillus niger. Ele não resiste às altas temperaturas de cocção dos pães nos fornos.
Existe uma variedade de mofos que difere na aparência, cor e rapidez de crescimento. Através da corrente de ar e dos insetos, os fungos são levados de um produto para outro, onde encontram meio apropriado para o seu desenvolvimento, fixando-se e em seguida reproduzindo-se.
O mofo deve ser evitado; para tanto deve-se:
· manter equipamentos, caixas de transporte de pães, ambiente, utensílios e demais objetos que entram em contato com o alimento devidamente limpos e sanitizados;
· evitar pão de retorno, e quando recebê-lo, evitar o seu acúmulo;
· usar soluções cloradas no enxágue dos equipamentos; 1 parte de Hipoclorito de Sódio para 9 partes de água. Aconselha-se enxugar bem os equipamentos após a limpeza (evitar oxidação).
Anteriormente, utilizava-se vinagre na massa, devido às qualidades ácidas deste produto. Porém, pesquisas revelaram que outros ácidos como o ácido propiônico e derivados, propionato de cálcio, e propionato de sódio possuem uma ação mais eficiente.
Outros ácidos também possuem boa ação, tais como: lático, cítrico e tartárico.
O ácido sórbico e seu derivado, o sorbato de potássio, são bastante efetivos contra os fungos dos mofos, porém não são recomendados para massas que serão desenvolvidas com fermento biológico por retardarem a atividade do mesmo.
O nível de adição é cerca de 2 g/Kg de produto acabado (0,2%) para a maioria dos conservantes.
Muitas vezes, somente o uso de conservantes não é suficiente para eliminar o problema quando este ocorre.
Um bom processo de limpeza e higienização ocasiona resultados mais positivos e efetivos.
Vale lembrar que os conservantes não têm a capacidade de eliminar os microorganismos presentes, e sim de regular e impedir o desenvolvimento dos mesmos.
Rope - O rope é um tipo de contaminação que pode ocorrer nos pães durante as épocas úmidas e quentes do ano (verão). Ao cortar o pão atacado por rope, o miolo tende a enrolar-se pela ação da faca e forma um fio que parece uma pequena corda ( rope = corda em inglês ). Nota-se também pontos ou estrias de cor pardacenta no miolo acompanhadas de um forte e desagradável odor. Estas estrias se desenvolvem com rapidez e após 24 horas de atuação deixam o miolo do pão úmido e pegajoso
O rope é causado por uma bactéria ( Bacillus mesentericus ) que se multiplica no interior do pão quando a temperatura e umidade são favoráveis. Esta bactéria não é resistente à temperatura do forno, mas na forma de esporo, suporta altas temperaturas podendo voltar a reproduzir-se quando em temperatura e umidade favoráveis.
Alguns produtos têm mostrado eficiência no combate ao rope ( conservantes ).
· Propionato de sódio (2g /Kg de pão);
· Propionato de cálcio (2g /Kg de pão);
· Fosfato ácido de cálcio (1g /Kg de pão);
· Diacetato de sódio (1g /Kg de pão);
Ä Recomendações para o combate do rope:
1. Manter a área de produção sempre limpa, iluminada e seca;
2. Resfriar o produto logo após o forneamento com ar sempre renovado;
3. Assar completamente os produtos, evitando excesso de umidade no miolo (principalmente os pães de forma);
4. Embalar os produtos somente após completo resfriamento;
5. Áreas de estoque devem ter temperaturas baixas e umidade relativa de 75%;
6. Efetuar uma limpeza periódica com enxágue dos equipamentos, pás de forno, mesas de trabalho, paredes e utensílios com solução clorada;
7. Pão de retorno deve ser evitado. Caso seja impossível evitá-lo, deve-se torrar o produto assim que este entrada na padaria.
otimo post
ResponderExcluirMuito boa essa postagem!!!
ResponderExcluirE como corrigir casca seca e desfarelando
ResponderExcluirBom dia. Estamos fabricando um pão frances congelado e está aparecendo algumas pintas/manchinhas marrom na casca do pão. O que pode ser? como fazer para corrigir. Obrigada.
ResponderExcluirSempre fiz pão minha vida inteira, outro dia ocorreume uma situação a qual não consegui compreender o que aconteceu,o pão teve problemas com o crescimento,demorou muito e cresceu pouco,mas assei mesmo assim,mas é o que me surpreendeu de fato é que depois de assado,a massa ficou cheia de manchas pretas como se tivesse acrescentado gotas de chocolate, fiquei pasma,nunca em toda minha vida vi algo assim, não consigo compreender o que pode ter acontecido,se alguém tiver uma explicação eu gostaria de saber 😳
ResponderExcluirMuito bom tirei uma dúvida q tinha com esse post
ResponderExcluirUma boas informações 👏👏
ResponderExcluir