quarta-feira, 8 de junho de 2011

- DEFEITOS DOS PÃES

Características de um bom pão - Exteriormente, um pão de bom aspecto deve ser bem desenvolvido, bem assado e leve; deve ter um odor suave, sabor agradável, crocante, e com boa conservação.

Pães assados com vaporização, cortados ou decorados, devem ter uma crosta amarelo-dourada, ligeiramente espelhada, lisa e bem aderente ao miolo.

Os pães cortados não devem apresentar estrangulamento; os cortes devem ser bem regulares e distribuídos, sua superfície deve ser lisa e as pestanas bem destacadas.

Os pães decorados devem ter um sulco bem pronunciado, de superfície lisa e formato arredondado.

O miolo do pão cortado deve ter coloração branco-creme, e o do pão tradicional não deve apresentar buracos. O miolo deve ser sempre bem leve, fino e arejado.

Defeito dos pães - Os defeitos podem ser analisados sob vários aspectos:
1.    aspecto exterior;
2.    desenvolvimento e volume dos pães;
3.    aspecto interior do miolo;
4.    sabor do pão.
Comumente, duas causas podem explicar a ocorrência de  defeitos. Qualidade insuficiente da farinha ou fermento, ou erro técnico. Qualquer que seja a causa, o profissional deve se esforçar para diagnosticar  a origem do defeito, e então corrigir o erro e evitar sua repetição.

1) Aspecto exterior:

a) Incisões irregulares - Este defeito se traduz pelo aparecimento irregular ou completa ausência de “pestanas”,  decorrentes das incisões. Diz-se que os pães são carecas.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha muito forte;
·      Farinha hipodiastásicas;
·      Massa assadas em forno muito quente;
·      Massa ressecada;
·      Massa muito crescida;
·      Incisão mal feita;
·      Forno com defeito de vaporização.

Ä Correções:
·      Para farinha forte, reduzir a quantidade de aditivos e aumentar o tempo de amassamento até a massa ficar bem lisa.
·      Para farinha hipodiastásica, deve-se reestabelecer o equilíbrio enzimático, adicionando um produto maltado.
·      Demais defeitos Þ correções diretas

b) Pestanas dilaceradas - Caracteriza-se por pestanas largamente abertas, achatadas e ásperas.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha pobre em glúten;
·      Massa forneada prematuramente;
·      Forno brando;
·      Forno de pulsão de ar quente.

Ä Correções:
·      Para farinha fraca, elevar a dose de aditivo, prolongar o tempo da primeira fermentação;
·      Demais defeitos Þ correções diretas.

c) Pães chatos - Pães achatados, de incisões raras e dilaceradas.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha de glúten fraco;
·      Farinha de produção recente;
·      Massa muito crescida;
·      Massa assada em forno brando.

Ä Correções:
·      Farinha de glúten fraco ; reforçar dose de aditivo;
·      Demais defeitos Þ correções diretas.
d) Crosta avermelhada
Ä Possíveis causas:
·      Farinha hiperdiastásica;
·      Farinha rica em grão de amido danificado;
·      Massa cuja primeira fermentação foi insuficiente.

Ä Correções:
·      Aumentar a quantidade de fermento;
·      Aumentar a quantidade de ácido ascórbico quando este estiver presente na receita;
·      Aumentar tempo da primeira fermentação.

e) Crosta pálida
Ä Possíveis causas:
·      Farinha hipodiastásica; ou Farinha sub extraída;
·      Massa pobre em sal;
·      Massa de primeira fermentação exagerada;
·      Massa assada em forno muito brando.

Ä Correções:
·      Correção da farinha com adição de cereais maltados ou amilases fúngicas;
·      Demais defeitos Þ correções diretas.

f) Crosta esbranquiçada e s/ brilho - Caracteriza-se por crosta de cor opaca e acinzentada.
Ä Possíveis causas:
·      Massa muito quente no final do amassamento;
·      Excesso de farinha durante modelagem;
·      Massa muito crescida;
·      Defeito na vaporização do forno.

Ä Correções diretas.

g)  Crosta muito espessa - Este defeito agrava-se em tempo seco.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha pobre em açúcar ou diástase;
·      Farinha sub-extraída;
·      Massa fortemente endurecida;
·      Forno muito brando;
·      Excesso de cocção.

Ä Correções:
·      Usar os mesmos recursos  empregados para corrigir os pães de crosta pálida.


2) Desenvolvimento e volume
a) Pães pesados e mal desenvolvidos - São pães cujo volume é inferior à média e cujo desenvolvimento é irregular.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha de glúten curto;
·      Farinha sub ou super extraída;
·      Forno muito forte;
·      Forno muito brando.

Ä Correções:
·      Para glúten curto aconselha-se trabalhar com massa mais mole que a média;
·      Farinha sub-extraída Þ Adição de produtos maltados ou amilase fúngica;

b) Pães magros - São pães pouco desenvolvidos, cuja incisões, apresentam-se irregulares e  muito dilaceradas.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha proveniente de trigo muito fraco e pobre em glúten;
·      Massa pouco fermentada quando forneada.

Ä Correções:
·      Aumentar ou incorporar ácido ascórbico na massa;
·      Aumentar tempo de maturação da massa antes de modelá-la;
·      Aumentar tempo da fermentação final.

3) Aspecto interior do miolo
a) Miolo compacto e grosseiro - Miolo formado de alvéolos que não possuem leveza nem elasticidade, e é desagradável ao tocar.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha de glúten muito curto;
·      Farinha super-extraída na moagem;
·      Uso de água muito quente durante amassamento;
·      Massa muito firme;
·      Excesso de crescimento antes do boleamento e forneamento.

Ä Correções:
·      Preparar massas mais moles;
·      Diminuir o tempo da primeira fermentação;
·      Incorporar/aumentar o ácido ascórbico;
·      Demais defeitos Þ correções diretas.

b) Cor anormal - Textura de cor cinzenta, neutra, azulada ou com pontos escuros; cor branca ou muito branca também são consideradas anormais.
Ä Possíveis causas:
·      Miolo azulado Þ Farinha extraída de trigos contaminados por fungos;
·      Cor acinzentada ou pontos escuros isolados Þ  trigo muito velho, mal limpo, ou farinha super extraída.
Ä Correções:
·      Evitar super amassamento e a presença de farinhas de fava, de soja, de bromato ....;
·      Excluir farinhas anormais;
·      Evitar oxidação excessiva da massa.
° O uso de cultura de fermento velha e ácida também pode alterar a cor do miolo.

c) Miolo colante
Ä Possíveis causas:
·      Uso de farinha extraída de trigo germinado ou mistura com farinha de centeio.

Ä Correções:
·      Acidificar levemente a massa;
·      Evitar mistura com farinha de centeio.

d) Miolo friável - Caracteriza-se por miolo que tende a se esmigalhar.
Ä Possíveis causas:
·      Farinha de glúten curto ou sub-extraída;
·      Massa muito firme ou demasiadamente quente no final do amassamento;
·      Dose exagerada de fermento.

Ä Correções:
·      Preparar massas mais frescas;
·      Demais defeitos Þ correções diretas.

4) Quanto ao sabor do pão  - O pão pode apresentar mal cheiro ou sabor desagradável. Sua crosta pode ser dura ou excessivamente mole, seu miolo grosseiro e duro ou inconsistente, colante ou viscoso.
Ä Possíveis causas:
·      Excesso de aquecimento no amassamento ou de fermento;
·      Cultura de fermentos velha e ácida;
·      Não ocorrência da primeira fermentação;
·      Farinhas com odores não característicos.

Ä Correções diretas


IX - O MOFO E O ROPE

Mofo -  ou bolor ; ocorre quando há contaminação por fungos. Seus sinais são bem visíveis pois os fungos se desenvolvem em colônias. Atacando o pão, ele forma pequenas manchas coloridas na casca. O mais comum é o Aspergillus niger. Ele não resiste às altas temperaturas de cocção dos pães nos fornos. 

Existe uma variedade de mofos que  difere na aparência, cor e rapidez de crescimento. Através da corrente de ar e dos insetos, os fungos são levados de um produto para  outro, onde encontram meio apropriado para o seu desenvolvimento, fixando-se e em seguida reproduzindo-se.
O mofo deve ser evitado; para tanto deve-se:
·      manter equipamentos, caixas de transporte de pães, ambiente, utensílios e demais objetos que entram em contato com o alimento  devidamente limpos e sanitizados;
·      evitar pão de retorno, e quando recebê-lo, evitar o seu acúmulo;
·      usar soluções cloradas no enxágue dos equipamentos; 1 parte de Hipoclorito de Sódio para 9 partes de água. Aconselha-se enxugar bem os equipamentos após a limpeza (evitar oxidação).

Anteriormente, utilizava-se  vinagre na massa, devido às qualidades ácidas deste produto. Porém, pesquisas revelaram que outros ácidos como o ácido propiônico  e  derivados,  propionato de cálcio,  e   propionato de sódio possuem uma ação mais eficiente.

Outros ácidos também possuem boa ação, tais como: lático, cítrico e tartárico.

O ácido sórbico e seu derivado, o sorbato de potássio, são bastante efetivos contra os fungos dos mofos, porém não são recomendados para massas que serão desenvolvidas com fermento biológico por retardarem a atividade do mesmo.

O nível de adição é cerca de 2 g/Kg de produto acabado (0,2%) para a maioria dos conservantes.

Muitas vezes, somente o uso de conservantes não é suficiente para eliminar o problema quando este ocorre.
Um bom processo de limpeza e higienização ocasiona resultados mais positivos e efetivos.
Vale lembrar que os conservantes não têm a capacidade de eliminar os microorganismos presentes, e sim de regular e impedir o desenvolvimento dos mesmos.

Rope - O rope é um tipo de contaminação que pode ocorrer nos pães durante as épocas úmidas e quentes do ano (verão). Ao cortar o pão atacado por rope, o miolo tende a enrolar-se pela ação da faca e forma um fio que parece uma pequena corda ( rope = corda em inglês ). Nota-se também pontos ou estrias de cor pardacenta no miolo acompanhadas de um forte e desagradável odor. Estas estrias se desenvolvem com rapidez e após 24 horas de atuação deixam o miolo do pão úmido e pegajoso

O rope é causado por uma bactéria ( Bacillus mesentericus ) que se multiplica no interior do pão quando a temperatura e umidade são favoráveis. Esta bactéria não é resistente à temperatura do forno, mas na forma de esporo, suporta altas temperaturas podendo voltar a reproduzir-se quando em temperatura e umidade favoráveis.

Alguns produtos têm mostrado eficiência no combate ao rope ( conservantes ).
·      Propionato de sódio  (2g /Kg de pão);
·      Propionato de cálcio  (2g /Kg de pão);
·      Fosfato ácido de cálcio (1g /Kg de pão);
·      Diacetato de sódio (1g /Kg de pão);

Ä Recomendações para o combate do rope:
1.    Manter a área de produção sempre limpa, iluminada e seca;
2.    Resfriar o produto logo após o forneamento com ar sempre renovado;
3.    Assar completamente os produtos, evitando excesso de umidade no miolo (principalmente os pães de forma);
4.    Embalar os produtos somente após completo resfriamento;
5.    Áreas de estoque devem ter temperaturas baixas e umidade relativa de 75%;
6.    Efetuar uma limpeza periódica com enxágue dos equipamentos, pás de forno, mesas de trabalho, paredes e utensílios com solução  clorada;
7.    Pão de retorno deve ser evitado. Caso seja impossível evitá-lo, deve-se torrar o produto assim que este entrada na padaria.

7 comentários:

  1. E como corrigir casca seca e desfarelando

    ResponderExcluir
  2. Bom dia. Estamos fabricando um pão frances congelado e está aparecendo algumas pintas/manchinhas marrom na casca do pão. O que pode ser? como fazer para corrigir. Obrigada.

    ResponderExcluir
  3. Sempre fiz pão minha vida inteira, outro dia ocorreume uma situação a qual não consegui compreender o que aconteceu,o pão teve problemas com o crescimento,demorou muito e cresceu pouco,mas assei mesmo assim,mas é o que me surpreendeu de fato é que depois de assado,a massa ficou cheia de manchas pretas como se tivesse acrescentado gotas de chocolate, fiquei pasma,nunca em toda minha vida vi algo assim, não consigo compreender o que pode ter acontecido,se alguém tiver uma explicação eu gostaria de saber 😳

    ResponderExcluir
  4. Muito bom tirei uma dúvida q tinha com esse post

    ResponderExcluir